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Entrevista com Emiliano Castro

15 de janeiro de 2009

igda29Olá meus leitores! Estou colocando aqui uma entrevista que fiz com Emiliano Castro da Abragames em 25 de março de 2008. Essa entrevista era para sair na PDJZine, mas como ela não saiu ainda eu resolvi postar aqui antes que ela fique muito velha…

O que a AbraGames faz?

EC: A Abragames é uma associação de empresas que são focadas no desenvolvimento de jogos no Brasil, então como associação ela tem como objetivo promover essa área de desenvolvimento de jogos no país. E essa promoção tem várias frentes, uma das frentes é melhorar o ambiente de negócios para este mercado no país, então melhorar o ambiente de negócios significa lutar por uma certa estabilidade na área, batalhar por maiores facilidades de crédito, na parte de regulamentação, na parte de legislação, é também um dos objetivos da Abragames atuar junto com instituições de ensino, universidades para ajudar a fomentar cursos na área de desenvolvimento de jogos no país, no ponto da preucupação com uma mão de obra mais capacitada, não só na área de formação de mão de obra, mas também na área de pesquisa. Ela também é importante para ajudar as empresas brasileiras a ter uma atuação internacional, por exemplo participar de feiras em outros países em missões comerciais, enfim, tudo aquilo que for favorável a promover esta indústria (jogos eletrônicos) no país.

E a AbraGames surgiu exclusivamente para isso?

EC: Essa é a missão da Abragames.

Desde o começo?

EC: Exato

E qual o projeto atual mais importante da Abragames?

EC: Acho que é difícil apontar o que é o mais importante, porque cada empresa tem uma preucupação maior de um lado ou de outro, então para citar alguns dos atuais projetos que tem de certa forma sendo direcionado na associação, um deles é uma ação internacional em parceria com a Softex (associação para a promoção da excelência de softwares brasileiros) e a Apex, que é a agência brasileira para exportação, que envolve a participação de empresas em várias feiras internacionais, então agora recentemente teve um estande da Abragames na Games Connection que aconteceu na Califórnia paralelamente a GDC, que é a Game Developers Conference, mas também no ano passado e ano retrasado teve várias feiras, não só no Estados unidos mas também na Europa, onde empresas brasileiras puderam participar de um estande em conjunto, que foi em parte subsidiado por uma agência do governo, para poder criar negócios internacionais, várias agências fecharam contratos e conquistaram clientes, então é uma ação bastante importante. Tem também outra ação muito interessante, mais ligada a área institucional, onde a Abragames tem atuado ao lado da Abes (Associação Brasileira de Empresas de Software) e também de empresas que estão mais próximas do mercado de publicação de jogos no Brasil, então essas empresas tem uma preucupação, que os desenvolvedores também compartilham, em crescer o mercado no Brasil e para crescer o mercado no Brasil é importante que se quebre algumas barreiras. Dentre as principais barreiras a gente enxerga claramente a pirataria e o problema tributário. A carga triburária em cima dos consoles e dos jogos de computador é muito elevada, então existe um projeto de revisão tributária no qual a Abragames também está participando. Então esses foram os dois para ilustrar rapidamente o que a Abragames tem feito no momento

Como você acha que a Abragames pode ajudar os Desenvolvedores de jogos?

EC: Essas duas ações ajudam bastante os desenvolvedores, uma está em um certo curto prazo, imaginando hoje em dia um desenvolvedor, dependendo da plataforma onde ele desenvolve, dependendo do mercado que ele atua, o mercado nacional é muito pequeno, então é interessante que ele possa ampliar as fronteiras e atuar em outros países, e várias empresas também tem um direcionamento para trabalhar com serviços, ou seja, trabalhar com outsourcing, então ela cria um techdemo, um jogo ou um protótipo ou algo do gênero, e ela quer com aquele produto mostrar que tem capacidade técnica para desenvolver, então ela precisa entrar em contato com publicadores para que eles possam olhar e dizer: “sua empresa aparentemente tem a capacidade técnica, nós vamos contratar vocês, estudar a possibilidade de contratar vocês, para fazer este jogo, ou criar a parte de um jogo”. Só que estes publicadores estão todos foras do país, então essa ação internacional é importante porque ela abre o mercado. E quando eu falo mercado eu não digo só quem é o usuario final do publicador, mas também para as empresas em que o cliente é outra empresa, no qual o cliente é um publicador. E também a ação de mercado de redução da carga tributária ela também tem impacto no desenvolvimento no Brasil, tem uma série de analistas de mercado, que é praticamente uma unanimidade, que a partir do momento que os consoles tiverem uma forte presença no Brasil, o mercado vai crescer muito, porque você vai ter um grande investimento em marketing e isso vai promover provavelmente uma mudança cultural na forma como a sociedade enxerga os video games, que por enquanto estamos fora deste mapa, só que para isto acontecer agente precisa ajudar a criar um ambiente, algumas condições mais favoráveis, e a partir do momento que este ambiente acontece, os consoles desembarcam no Brasil, você tem um crescimento não só da mídia especializada, da área de eventos, da rede de varejo, essa mudança cultural que eu comentei também, você acaba criando um mercado nacional muito mais receptivo para produtos feitos aqui.

O que o senhor acha da onda dos jogos casuais? Aqueles jogos simples como fl0w e outros jogos em Flash que bastante gente joga o dia inteiro quando acha na internet.

EC: É um mercado que tem crescido muito, e ele provavelmente aponta uma das mais fortes fronteiras da indústria de jogos do momento, muita gente tem a percepção que durante um certo tempo o mercado de jogos foi limitado à mais ou menos um certo nicho, por exemplo os hardcore games, as pessoas que já conheciam e acompanhavam a área, só que alguns jogos, e até algumas plataformas conseguiram fazer isso um pouco melhor, começaram a sensibilizar pessoas que estavam de fora, pessoas que não estavam sendo atingidas pela propaganda dirigida que era feita, então elas comeraçam a enxergar um certo interesse: “Essa aqui é um jogo bacana, posso jogar em pouco tempo, você não precisa ter um super investimento em curva de aprendizado para poder jogar”. Então as pessoas começaram o universo dos jogos através dos jogos de celular, os jogos baseados na web, os jogos baseados em brownser, os jogos em Flash, jogos em Shockwave, então isso tem trazido muita gente para o mercado de jogos, muita gente que diz que não joga jogo de computador passou a jogar, passou a entrar no mapa também, então é uma área muito importante.

Qual que você acha que é o mercado mais importante no Brasil?

EC: Eu acho que o Brasil tem uma vantagem importante, que é o fato que o mercado potencial do Brasil é muito grande, e isso significa que agente não precisa ter a preucupação que alguns países talvez tenham em fechar muitos nichos, então no Brasil por exemplo, pelo fato de termos uma cultura do video game de certa forma pouco disseminada, se você andar pelas ruas você vai encontrar gente que entende de jogos de computador e gente que nunca ouviu falar, não sabem do que se trata, aqui não tem aquele degradê, agente não assiste comerciais de jogos na televisão, comerciais de jogos em revistas não especializadas, essa falta de publicidade de massa, prejudica que agente tenha uma gradação maior em cima do mercado, então isso faz com que a área de jogos casuais no Brasil seja muito forte, ela é muito forte porque tem justamente todo este pessoal para ser arrebanhado. Na área também de jogos baseados em Web, agente tem que lembrar que o Brasil é campeão mundial em uso residencial da internet, o brasileiro passa em média 21 horas conectado por mês, brasileiro gosta de ficar conectado, então esse mercado de jogos baseados em brownser também é muito forte, a mesma coisa até para advergames, o mercado de advergames também tem muito espaço no Brasil, porque o Brasil conta com um mercado muito forte, e é um mercado que tem se sensibilizado cada vez mais onde eles podem atingir o consumidor de uma forma mais interativa, então aqui é um país que abre muito espaço para mercados.

O que você acha que pode ser feito além de medidas de proteção anti-cópia para vencer a pirataria?

A pirataria no Brasil é um problema muito sério, e seria muito reducionista, seria muito simplista, imaginar que seria mexer só em uma pequena coisinha que vai se acabar com a pirataria, primeira que acabar com a pirataria não é a única condição para o mercado crescer, o México reduziu a pirataria e o mercado explodiu por lá, então o que é preciso fazer é atuar em algumas frentes para reduzir a pirataria que hoje é estimada em 94% do mercado para alguma coisa mais razoável. Em um mundo ideal não existe pirataria, mas agente não está em um mundo ideal, e alguma das coisas que não são muito difíceis de serem feitas para resolver este problema é aliviar um pouco a pressão econômica, hoje existe uma diferença muito grande entre um produto pirata e um produto vendido em uma loja oficial, e parte desta diferença brutal esta na carga tributária, e é uma carga tributária que nem faz muito sentido, até porque parte dessas alíquotas foram projetadas para uma época em que o Brasil desenvolvia o hardware de alguns consoles de video game, então a idéia do legislador era fazer com que uma alta alíquota funcionasse como uma barreira de proteção, para que esta indústria pudesse se desenvolver, acontece que o cenário mudou muito, e o cenário mudou de tal forma que essa empresa não fabrica mais consoles de video game no Brasil, essa alíquota passou a não fazer mais sentido, mas ela permaneceu lá, se esqueceram de desarmar a armadilha que foi criada, então parte deste preço gigantesco, existe por uma causa totalmente sem sentido hoje, então é preciso desarmar esta armadilha aí, então essa é a primeira parte. A segunda é um processo um pouco mais complicado é um processo que demora mais tempo, mas tem que começar, que é a questão cultural, ainda existe uma certa falta de consciência do consumidor brasileiro, não só na área de jogos, mas em vários seguimentos, de não levar muito a sério a questão da propriedade intelectual, marcas, patentes, acho que falta um pouco de educação social nesta área, então agente percebe que o problema da pirataria também atinge de uma forma bastante pesada a indústria cinematográfica no Brasil, embora existam campanhas, é um processo que talvez vai demorar um pouquinho para atingir bons resultados.

O que você acha que a Abragames pode fazer para ajudar os desenvolvedores e publicadores independentes?

EC: Todas as ações que foram projetadas, e que constam no plano diretor da Abragames, que é disponível para todo mundo que possa acompanhar o site da Abragames http://www.abragames.org, tiveram em mente os desenvolvedores independentes, porque? Agente considera que a maior dificuldade que acabou gerando essa idéia de criar uma associação, era o fato de que essas empresas desenvolvedores eram pequenas, eram geralmente formadas por profissionais cheios de paixão, cheios de boa vontade, mas em um mercado que era muito hostil, ainda é hostil, um pouquinho menos, mas esta hostilidade do mercado estava fazendo com que a taxa de mortalidade das empresas fosse muito grande, então quem está acompanhando o mercado a um certo tempo, viu surgir empresas promissoras, com grandes idéias, grande capacidade de desenvolvimento, que acabaram sumindo, porque elas não tinham condições de arcar com os custos de participar de um projeto que não desse certo, ou seja, todo mundo ali tem uma chance e não pode disperdiçar essa chance, essa era mais ou menos a sensação que ficava, e essa idéia do independente, ou seja, quem não faz parte de um contrato ou não faz parte de um grande grupo ou algo do gênero, é que acaba trazendo inovação, então esse é o foco, o grupo independente sempre foi o foco da Abragames.

E a Abragames também apoia, ajuda ou pretende fazer isso no caso das instituições de ensino que tentam se envolver na área de jogos?

EC: A Abragames é frequentemente abordada por instituições de ensino que vem atrás de diversos tipos de demandas, houve uma época que muitas instituições de ensino estavam formando, começando a criar cursos, e não sabiam o que podia fazer, como estavam fazendo, para ajudar com pesquisas e tudo mais, e na medida do possível a Abragames ajudou, agente acredita que falte algo como um whitepaper, falta talvez um grupo de estudos mais específico, para tentar ajudar o pessoal dessa área, de formação de recursos no Brasil, porque ainda existe uma certa confusão, porque tem gente que acha: “Então, será que agente vai ajudar só os cursos de pós-graduação, ou cursos de graduação, cursos livres, muitas vezes as pessoas perguntam um currículo recomendado pela Abragames, só que é importante deixar as coisas muito claras, porque não é o papel da Abragames instituir currículos, fiscalizar instituições de ensino, fiscalizar cursos, dar notas, isso não é o nosso papel, não esta dentro de nossa missão, agora está dentro de nossa missão atuar no sentido de promover a indústria dentro do Brasil, e se a formação de pessoal ajuda neste sentido, agente não precisa se omitir completamente, então uma das formas de talvez colaborar, seja talvez fazer algo que nem a IGDA fez que foi criar uma espécie de whitepaper dizendo “Esse aqui é um currículo que agente acha interessante”, e colocar ali nas mãos dos alunos, dos candidatos interessados a tarefa de pegar e ali os cursos que ele está estudando, que ele está analizando se ele vai entrar ou não, verificar se eles realmente estão de acordo com o que são projetados, o que são mais interessantes, então essa é uma das formas que agente também imagina de ajudar nessa área.

E a Abragames apoia somente os jogos eletrônicos ou também os desenvolvedores e publicadores de jogos de tabuleiro?

EC: Só jogos eletrônicos

Tem alguma consideração final para os leitores?

EC: Eu acho que o mercado no Brasil hoje, ele está naquelas situações, em que praticamente todo mundo é parceiro um do outro, não existe uma concorrência feroz, agente torce para que esse momento chege logo, para que agente tenha um mercado mais vivo aqui no Brasil, mas hoje todo mundo é um pouco parceiro, hoje é interessante ter consciência de que se uma empresa brasileira ou um jogo brasileiro faz sucesso, isso é bom para todo mundo, então todo mundo tem que comemorar, então acho que é bacana agente pelo menos tentar trabalhar com essa sensação de que a torcida tem que ser grande também, e óbvio, o jogador brasileiro não tem que prestigiar ou ser solidário com qualquer circunstância, mas seria bom se ele tivesse um certo orgulho e pensasse que seria bacana se agente assistisse o crescimento da indústria do país, que agente visse jogos serem feitos aqui no Brasil, que os jogos fossem bons, e que pudesse colaborar com críticas construtivas, imaginando que esse espaço que está sendo criado, talvez seja o lugar onde ele vai trabalhar amanhã.

Muito obrigado pela entrevista!

EC: Eu que agradeço Hélder!

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One Comment leave one →
  1. 7 de abril de 2009 7:02 pm

    Muito bacana a entrevista. Ajuda a conhecer bem melhor o papel da Abragames.

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