Skip to content

Me formei… O que faço agora?

2 de agosto de 2012

A um tempo atrás respondi a pergunta: “qual faculdade fazer?”, algumas das pessoas que leram aquilo hoje devem estar se formando, ou recém formadas… Então encontram um mercado de jogos bagunçado, e não tem a mínima ideia de onde procurar trabalho.

Existem três alternativas, a mais fácil, é conseguir um emprego, depois disso é achar um sócio, e então finalmente abrir uma empresa sozinho.

Vamos falar do mais difícil primeiramente, que apesar de ser o mais difícil, é o sonho de muitos.

Abrir sua própria empresa não é tarefa simples, mesmo que ignore toda a burocracia no Brasil (que é uma das mais complexas do mundo), ainda assim a chance de dar tudo errado é enorme.

Primeiro: Ter sua própria empresa exige ou que você já seja rico, ou que tenha muito, muito, MUITO, MUITO, tempo, disciplina e organização… Por uma questão de todas as coisas a serem feitas.

O primeiro passo para ter uma empresa, é saber o que você vai vender, e como vai vender, não é só pensar: “Ah, vou fazer jogos…” mas é jogo para adultos? crianças? Computador? Console? Celular? Se for celular seria smartphone ou não? E são jogos de ação? Aventura? Vendidos como produtos fechados, na caixa talvez, ou por download, ou seriam até gratuitos e sua empresa vai vender items?

Pensar em tudo isso é crucial, muitas empresas falham porque já começaram errado aqui, se você decidir por exemplo fazer jogos pornográficos para Nintendo DS, já criou um fracasso, se decidir fazer jogos educacionais infantis para Xbox 360… é simplesmente loucura.

E claro, sempre tem quem queira começar por um jogo online massivo… NÃO FAÇA ISSO. SÉRIO. Todo ano várias empresas vão a falência tentando isso, especialmente as que tentam isso no primeiro jogo… Até o Curt Schilling, um jogador de baseball que era milionário agora é um devedor milionário porque gastou no total (dinheiro dele, e de pessoas que confiaram nele) mais de 100 milhões de dólares e ele mesmo já disse em uma entrevista que o jogo estava péssimo.

Depois de decidido o produto, é fazer o produto… Essa parte o blog fala bastante em outros artigos, então não vou dar detalhes.

Então vem a parte de vender o produto… Agora que é a parte difícil, quem faz jogos sozinho, é normal gastar mais tempo vendendo seus produtos, do que fazendo, não só isso, também se usa tempo administrando a empresa em si, fazer jogos sozinho significa passar só 20% do seu tempo desenhando e programando, e usar todo o resto trabalhando com publicidade, vendas, administração… E sua carga de trabalho pode rapidamente passar a carga horária de uma pessoa com um emprego comum, a não ser que como eu já mencionei, você seja muito rico, ai alguma coisas você pode pagar outras pessoas para fazerem no seu lugar.

Claro que tenho que lembrar aos meus leitores, especialmente os brasileiros, que com o sucesso, se torna necessário ter a empresa 100% legalizada, isso significa contratar advogados e contadores, então mesmo que você saiba fazer um jogo inteiro sozinho, vai precisar de dinheiro para contratar essas pessoas.

Justamente por fazer sozinho ser difícil, que temos então a segunda opção: Ter um sócio.

A primeira coisa a se pensar aqui, é que pelo menos um dos sócios tem que ter dinheiro para sustentar a empresa, nos vários meses iniciais antes das primeiras vendas, todos os sócios ainda tem que comer, pagar conta de luz, água, telefone… E se tiverem um escritório, tem que pagar as contas do escritório…

Achar um sócio com dinheiro, não é fácil, o procedimento seria escrever um documento MUITO bem escrito e detalhado da sua ideia de empresa, um documento realmente convincente, que faça o teu potencial sócio acreditar sinceramente que a empresa possa ter futuro.

Depois de achar um sócio, ou ser achado por um (raro de acontecer… mas acontece), chega a parte de formar a sociedade… Isso é algo delicado, sociedade é algo sério, onde vidas podem ser arruinadas com facilidade por um sócio mal intencionado, é fácil abrir uma empresa, causar gastos astronômicos, pegar montanhas de dinheiro emprestado, e então fugir com o dinheiro e deixar os outros com a conta. Ou por exemplo prometer 20% da empresa depois que o produto ficar pronto, mas nunca deixar claro o quando a empresa vale ou quando ela lucra, então como você cobra 20% de “não sei” ?

Então temos o caminho que não é o mais fácil, é apenas o menos difícil… Achar um emprego.

Não se foque apenas na área de jogos, isso vai limitar muito suas opções, e deixar você a mercê dos empregadores, que vão pagar o que quiserem para você… Estar disposto a ter emprego em outras áreas, vai te garantir um salário mais digno, mesmo que não seja na área de jogos… Conheço pessoas que chegaram a oferecer diferenças de ofertas gritantes, com empresas de jogos querendo pagar apenas um quarto do que empresas de outros ramos estavam dispostas a pagar.

Então procure nos lugares certos o blog gamereporter frequentemente cita ofertas de emprego. Temos também a campanha do twitter, o site da Abragames onde tem uma lista de empresas para qual seria interessante mandar currículo, existem várias outras empresas menores também, e então temos o Catho, um site de emprego que tem poucos empregos de jogos, mas que se você não achar emprego no Catho, é porque não quer trabalhar.

Seja ativo também em listas de discussão dos assuntos que domina, é normal por exemplo ofertas de emprego para programadores na lista de programação para Android, ou ofertas de emprego para artistas em lista de artistas, e assim por diante.

Tenha um currículo organizado, limpo, e sem exageros e mentiras, o empregador vai notar fácil qualquer coisa no seu currículo que não seja a mais pura verdade, e é melhor ser honesto, do que ter um currículo impressionante mas mentiroso, pois no segundo caso até pode ocorrer do seu potencial empregador ficar tão irritado que ele espalha a notícia para outras empresas, te forçando a nunca ter emprego nelas, e se isso te acontecer, é bom ir aprender outra profissão.

E seja você mesmo na entrevista, por mais que digam para você fingir trocentas coisas porque a primeira impressão é a que fica, você não quer ser demitido um mês depois de contratado, isso bagunça sua vida, pega mal para futuros empregadores, e te expõe a uma certa vergonha pública. Se você é fedido, não vá cheio de perfume a não ser que esteja disposto a fazer isso todo dia. Se não usa terno, não vá de terno. Se você é extremamente tímido, não finja ser falante e carismático, para depois na empresa ficar sempre isolado e ridicularizado. Emprego não é só uma questão de dinheiro ou gosto por um trabalho, mas sua personalidade tem que combinar com a cultura da empresa. Um banco não quer contratar um cara “descolado”, assim como uma empresa de jogos infantis não quer contratar um cara mais sério e chato do que uma folha de papel timbrado.

Anúncios
One Comment leave one →
  1. LUIS EDUARDO permalink
    6 de março de 2013 11:52 pm

    Muito legal e bem explicado. Parabens

Deixe um comentário por favor!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: