Emprego no twitter

•6 de Janeiro de 2011 • 6 Comentários

Olá pessoal!

Vim aqui divulgar uma hashtag de twitter que inventei inspirada em uma internacional, conforme for necessário vou atualizar esse post com dicas e regras.

A hashtag se chama #empregojogos e serve para anunciar vagas, ou anunciar portfólios. Se você procura funcionários, ou vagas, adicione essa hashtag no sistema de busca de seu cliente de twitter.

A hashtag #gamejobs que é internaciona tem dado grandes resultados, muita gente conseguiu emprego, e muitas empresas conseguiram funcionários, creio que podemos repetir isso no Brasil.

Ministério da Censura

•29 de Setembro de 2010 • 26 Comentários

Aqui no Brasil, alguns já devem ter reparado, mas não temos jogos na Apple Store, nem na PSN e muitas outras lojas online. Além disso o Brasil é banido de alguns concursos de criação de jogos. Qual o motivo disso?

O motivo, é o Ministério da Censura. Na época da ditadura militar, ele era legalizado, e quando a ditadura acabou, foi escrito na constituição que censura era proibido e que agora existe liberdade de expressão. Exceto, que o Ministério da Censura continua existindo, legalmente, com força de lei.

Que ministério misterioso é esse? Na verdade, ele tem o nome de Ministério da Justiça (que como muitos sabem, é algo que não existe no Brasil), e ele tem o poder, mesmo que diga o contrário, de decidir quais jogos podem ser vendidos, e para quem.

Não creio que é coincidência, e muitos vão me criticar por escrever isso em época de eleições, mas a censura existe desde 14 de julho de 2006, quando foi publicado a portaria 1.100/2006, ou seja, isso foi no governo Lula, e quem “explica” sobre o significado da portaria (como se fosse algo bom) no portal do Ministério da Justiça é Romeu Tuma Junior, e é sabido que Lula é amigo de Romeu Tuma, mas voltando ao assunto…

O que a portaria 1.100/2006 diz EXATAMENTE?

Art. 3º O Ministério da Justiça realizará diretamente a classificação indicativa das seguintes diversões públicas:
I – cinema, vídeo, dvd e congêneres;
II – jogos eletrônicos e de interpretação (RPG).

Ou seja, começando aqui no artigo terceiro, está escrito que o ministério da justiça é o responsável por fazer “classificação indicativa” de vídeo, jogos eletrônicos, e jogos de RPG (não creio que isso seja coincidência com meu artigo anterior), ou seja, esses são já “especiais” de alguma forma para o governo.

Agora, o que é “classificação indicativa” ?

Art. 1º O processo de Classificação Indicativa, disciplinado nos termos desta Portaria, integra o sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente, composto por órgãos públicos e organizações da sociedade civil, destinado a promover, a defender e a controlar a efetivação do direito de acesso a diversões públicas adequadas à condição peculiar de desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Art. 2º A Classificação Indicativa possui natureza informativa e pedagógica, voltadas para a promoção dos interesses de crianças e adolescentes, devendo ser exercida de forma democrática, possibilitando que todos os destinatários da recomendação possam participar na condição de interessados do processo de Classificação Indicativa e, de modo objetivo, ensejando que a contradição de interesses e argumentos promovam a correção e o controle social dos atos praticados.

Bom, no meio desse texto todo, aparentemente inofensivo, está escrito que a classificação indicativa, é a classificação se o jogo ou vídeo causa problemas ou não ao desenvolvimento normal de crianças e adolescentes. Primeiro que isso ja é um problema, significa que jogos são considerados pelo governo como “nocivos”, ou seja, estão no mesmo nível que cigarro, bebida e pornografia. Além disso, como dito no artigo que coloquei a referencia a pouco, não existem PROVAS CIENTÍFICAS ainda, de que jogos e filmes podem atrapalhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Agora porque eu disse que o texto é aparentemente inofensivo? É porque o texto diz sobre o processo ser democrático, direitos, e que é apenas informativo… Exceto por uma palavra: Controlar ou seja, o governo escreveu um documento onde ele mesmo tem o direito de controlar, o que menores de 18 anos podem ver ou não. Mas isso ainda não é claro, vamos estudar mais a portaria:

Art. 13. Sob pena de constituir infração tipificada nos arts. 252 e 253 do Estatuto da Criança e Adolescente, compete aos produtores, distribuidores, exibidores ou responsáveis por diversões públicas, anunciar e afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do estabelecimento, informação destacada sobre a natureza da diversão e sobre a faixa etária para a qual não se recomende.
Parágrafo único. As informações de que trata o caput deste artigo deverão ser produzidas, fornecidas e veiculadas de acordo com os parâmetros estabelecidos no Manual de Classificação Indicativa.

Esse artigo, basicamente diz que se o produto não passar pelo crivo do ministério (pois essa é a única forma, de acordo com o artigo 3, de ter classificação), os produtores (ou seja, quem fez o jogo ou filme), e outras pessoas, podem infringir os artigos 252 e 253 do Estatudo da Criança e Adolescente. Copiando somente a pena, escrito nesses artigos:

Pena – multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.

O salário de referência atual é de 510 reais, portanto a multa para o primeiro jogo publicado (nota, não vou explicar agora, mas mesmo de graça, o jogo ainda é considerado publicado… essa lei se aplica a QUALQUER jogo disponível para o público) é de até 10.200,00 reais, e esse valor duplica em reincidência.

Ou seja, não passar pelo ministério da justiça resulta em uma multa…
Então é só passar pelo ministério da justiça para poder vender o jogo, certo?

Errado…

Art. 10. Da decisão que indeferir ou deferir de forma diversa o requerimento de classificação de diversão pública, cabe pedido de reconsideração ao Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, que o decidirá no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 1º O pedido de que trata o caput será instruído mediante a reapresentação da respectiva diversão pública, com apresentação de novos fundamentos.
§ 2º Mantida a decisão, o Diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação submeterá o pedido ao Secretário Nacional de Justiça, que apreciará o recurso no prazo de 30 (trinta).

A palavra “indeferir” significa recusar, ou seja, se existe um mecanismo para pedir reconsideração de pedidos recusados, significa que pedidos de classificação podem ser recusados… Ou seja, se o Ministério da Justiça quiser, ele pode recusar classificar seu jogo. O que significa não ser classificado? Significa, que você não tem como “exibir a classificação indicativa” como o artigo 13 pede, ou seja, seu jogo é BANIDO do país.

Ou seja, até agora já temos os fatos: O governo considera jogos, e RPG como algo nocivo, no mesmo nível que pornografia. O governo pode BANIR seu jogo do país. E você é OBRIGADO a passar pelo ministério da censura, que define se seu o conteúdo do seu jogo está de acordo com o que eles querem.

Mas fica pior… porque mesmo que seu jogo passe, ele pode pegar classificação de 18 anos, e apesar de a própria portaria dizer que a classificação é indicativa, temos:

Art. 19. Cabe aos pais ou responsáveis autorizar o acesso de suas crianças e/ou adolescentes a diversão ou espetáculo cuja classificação indicativa seja superior a faixa etária destes, porém inferior a 18 (dezoito) anos, desde que acompanhadas por eles ou terceiros expressamente autorizados.
§ 1º A autorização de que trata o caput deste artigo, expedida pelos pais ou responsáveis legais, deverá ser retida no estabelecimento de exibição, locação ou venda de diversão pública regulada por esta Portaria.
§ 2º Na autorização, que poderá ser manuscrita, de forma legível, constarão os seguintes elementos essenciais:
I – identificação completa:
a) dos pais ou responsáveis;
b) da criança ou adolescente autorizado; e
c) do terceiro maior e capaz autorizado a acompanhar e permanecer junto à criança ou adolescente;
II – menção expressa:
a) ao nome da diversão pública para a qual se destina a autorização; e
b) do local e data onde será acessada ou exibida;
III – a descrição do “tema” e das inadequações de conteúdo da diversão pública, identificados na Classificação Indicativa;
IV – data e assinatura dos pais ou responsáveis.

Ou seja, se a classificação é exatamente de 18 anos, não importa o que os pais digam, o filho deles não pode ter acesso ao conteúdo, isso significa que o governo manda mais que os país na hora de decidir se os filhos podem ou não ter acesso a alguma coisa.

Como alguns sabem, meu jogo apesar de não estar pronto, ja está disponível pelo público, e tem um trailer, então essa parte me interessa:

Art. 17. O trailer, chamada e/ou congênere referentes a diversões públicas poderá ter classificação independente, obedecendo ao disposto no artigo anterior desta Portaria, desde que veicule a classificação do produto principal.
§ 1° Ao trailer, chamada e/ou congênere classificado de forma independente aplica-se, no que couber, o disposto no art. 15 e parágrafo único, desta Portaria.
§ 2° Nos casos em que o produto principal ainda não tenha sido classificado, o trailer, chamada ou congênere deve veicular, na forma prescrita nesta Portaria, a seguinte frase: VERIFIQUE A CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA.

Agora se assistirem meu trailer vão reparar que em nenhum lugar eu fiz o que a lei manda, pois meu jogo não é classificado, então posso dizer que estou com o cu na mão, pois eu posso a qualquer momento ser multado…

Ai me perguntam: Porque você não seguiu a lei? Porque seu jogo não é classificado?

Porque eu não tenho dinheiro para pagar taxas, nem advogados, etc… Muito menos tempo para passar pela burocracia maluca (se você fizer download do “fluxograma” vai ver que ele tem uns 50 passos ou algo assim).

Tem gente que depois de ler isso tudo, vai dizer que eu sou louco, e que isso não é censura… Será mesmo?

O Brasil, a Coréia do Sul, Austrália e China, são os únicos países com lei do tipo, e e não por acaso os países com a maior quantidade de jogos banidos (alías, dos 4 países, a China é o que tem MENOS jogos banidos, apesar de na China censura ser algo totalmente oficial).

Em todos esses países é óbvio os efeitos dessa lei: Primeiro, que apenas jogos de empresas enormes são autorizados, eu tive a paciência de baixar a lista de jogos autorizados, e ir ler no Diário Oficial da União, quem fez os pedidos, a maior parte foi feito pela Eletronic Arts, ou pela Synergex, ambas empresas são ENORMES e especializadas no ramo de publicar jogos.

Segundo, isso tem o efeito de calar a voz, e suprimir a influência na cultura, dos desenvolvedores menores, ou de indivíduos (para você pagar a taxa, é necessário colocar um CNPJ no login da página… ou seja, sem empresa não é possível pagar a taxa).

Terceiro, isso destrói a criatividade em geral, o caso mais óbvio foi o da Coréia do Sul, onde sites de RPG Maker, Game Maker e etc fecharam para cumprir a lei. Isso só não ocorre no Brasil, porque ignoramos a lei (como eu estou fazendo atualmente).

Quarto, isso abre precedente para o governo ir aumentando a censura, os jogos por exemplo não eram censurados antes, o documento de 2006 na verdade é uma atualização de um documento anterior, onde era classificado apenas programas de TV.

Quinto, está claro, especialmente no exterior, que jogos tem sim poder político, Obama fez propaganda em outdoors no Burnout Paradise, alguns políticos fazem advergames…

Sexto, uma prova concreta dos problemas da lei, é notícias como esta: http://jogos.uol.com.br/ultnot/multi/2010/08/31/ult530u8134.jhtm Coisa que eu já sabia antes, pois eu não pude jogar meus próprios jogos quando trabalhei em uma empresa de jogos de iPhone.

O que podemos fazer?

Primeiro, podemos votar em quem acreditamos que vai resolver o problema, na europa o partido que está ganhando popularidade com isso é o PV.
Segundo, temos que pedir para o pessoas de outras mídias, nos ajudarem, como os filmes que estão na mesma lei, ou jornais (em um caso também óbvio de censura, quando Sarney saiu mostrando sua corrupção, um Juiz baniu o jornal Estado de São Paulo, de falar do filho de Sarney…)
Terceiro, temos que mostrar para a maior quantidade de pessoas, que isso as afeta, mesmo que elas não joguem ou assistam filmes, apesar da aparência que isso é apenas problema de quem quer comprar jogos na Apple Store ou na PSN, coisas disponível óbviamente apenas para os ricos, esse comportamento do governo também corrói a cultura e a voz do povo em geral.
Quarto, não sei… :/ Mas achei que escrever esse documento seria um ótimo passo.

Motivo pelo qual estou lento para atualizar o blog

•22 de Agosto de 2010 • 3 Comentários

Paddle Wars: Hit The WallOlá pessoal! Bom, vim aqui dizer qual é o motivo pelo qual estou lento para atualizar o blog… O motivo, é que eu estive trabalhando sozinho em um jogo novo, e no trailer, entre outras coisas.

Para os curiosos, esse é o trailer (infelizmente somente em inglês) http://www.indiedb.com/games/paddle-wars-hit-the-wall/videos/prototype-3-trailer#imagebox

E quem quiser baixar o jogo, eu fiz uma página (dessa vez em português!) www.agfgames.com

Fazendo uma grade de decisão

•14 de Janeiro de 2010 • 5 Comentários

Para onde vou?Apesar de que escrevi que não coloco tutoriais passo-a-passo sobre desenvolvimento de jogos aqui, esse é necessário, e não é sobre desenvolvimento exatamente, apresento o tutorial de grade de decisão, nesse tutorial você vai aprender como decidir o que você quer fazer (em relação a qualquer coisa que queira).

Primeiro passo, faça uma lista de suas opções, aqui no exemplo vamos decidir qual animal de estimação comprar. Então nossa lista vai ser, gato, cachorro, peixe e canário.

Segundo passo, liste os critérios que vai usar, nosso caso vai ser: companhia, obediência, utilidade, trabalho necessário, gasto, beleza e quantidade de fofeza (ou, fator kawaii)

Terceiro passo, pesquise sobre todos os critérios, junto o máximo de dados que puder.

Quarto passo, faça uma tabela, com as opções na esquerda e os critérios em cima.

Companhia Obediência Utilidade Trabalho Necessário Gasto Beleza Fator Kawaii
Gato
Cachorro
Peixe
Canário

Agora vem o trabalho duro, preencher a tabela, inicialmente com palavras, que descrevam corretamente o critério, por exemplo, se a tabela fosse sobre que jogo jogar, e um dos critérios fosse a dificuldade, você poderia escrever que um jogo é “fácil” ou “díficil” ou outra coisa parecida. Se você não sabe o que escrever, você encontrou algo desconhecido, tente sempre resolver os dados desconhecidos, mas lembre-se que é impossível prever o futuro com toda a certeza que existe, então alguns dados podem continuar desconhecidos, ou você tem que colocar o que é mais provável de acontecer.

Agora novamente nossa tabela de exemplo, só que preenchida.

Companhia Obediência Utilidade Trabalho Necessário Gasto Beleza Fator Kawaii
Gato Alta Baixa Baixa Muito baixo Baixo Médio Alto
Cachorro Alta Alta Possívelmente alta Médio Médio Baixo Alto
Peixe Baixa Baixa Inútil Baixo Médio Alto Baixo
Canário Média Média Inútil Baixo Baixo Alto Médio

Como pode ver, isso ja dá uma visão interessante, mas ainda não dá uma resposta definitiva. E a propósito, eu estou colocando a tabela sobre animais de estimação como exemplo, para ninguém tomar uma decisão apenas lendo a minha tabela (ao invés de fazendo a própria) e depois me maldizer o resto da vida se o negócio der errado.

Agora vamos para o próximo passo, o sexto, nós vamos converter os prós em 1, e os contras em -1, e o médio vai ser 0, nossa tabela de exemplo não tem nada desconhecido, mas nos desconhecidos use uma interrogação.

Companhia Obediência Utilidade Trabalho Necessário Gasto Beleza Fator Kawaii Total
Gato 1 -1 0 1 1 0 1 3
Cachorro 1 1 1 -1 0 -1 1 2
Peixe -1 -1 -1 0 0 1 -1 -3
Canário -1 0 -1 0 1 1 0 0

Como podem ver no gráfico que adicionei a coluna “Total”, aparentemente o “Gato” ganhou. Temos que lembrar, que ele ganhou apenas contando esses critérios (lembre-se, os critérios devem ser criados por você, que sabe quais são importantes e quais são inúteis), se tivesse por exemplo o critério “segurança” o cachorro teria um ponto a mais.

Ainda assim, esse gráfico com os critérios corretos, ainda não é perfeito para mostrar o que você quer, falta ainda calcular o peso dos critérios na sua decisão, e montar um gráfico com o peso multiplicando os valores existentes. Neste caso, digamos que estamos procurando um bicho ornamental, portanto o fator beleza é o mais importante e tem peso 10, vamos supor que somos pobres, portanto o gasto tem peso 3, e o resto tem peso 1, o gráfico novo fica assim:

Companhia Obediência Utilidade Trabalho Necessário Gasto Beleza Fator Kawaii Total
Gato 1 -1 0 1 3 0 1 5
Cachorro 1 1 1 -1 0 -10 1 -7
Peixe -1 -1 -1 0 0 10 -1 -6
Canário -1 0 -1 0 3 10 0 11

Como podem ver, agora o canário ganhou ao invés do gato,  e não mudamos os critérios, apenas indicamos que a beleza durante nossa escolha era 10 vezes mais importante que os outros critérios, e que o gasto era três vezes mais importante. O gato ainda teve uma boa performance, mas o cachorro por exemplo se tornou uma escolha horrível, ficando pior que o peixe.

Lembre-se, todas as suas decisões tem consequencias, use a tabela conhecendo o máximo que puder para tentar fazer uma escolha melhor, mas nunca se esqueça que todas as escolhas são imperfeitas, pois não podemos prever o futuro, só podemos saber o resultado de nossas ações depois de fazer, por isso mesmo, faça uma tabela de acordo com os SEUS critérios, avalie bem a situação, e faça o que você decidir fazer, pode não ser a melhor escolha, mas você só sabera tentando, se não tentar, você nunca saberá.

Tive uma idéia! Para quem eu vendo?

•22 de Novembro de 2009 • 17 Comentários

Que bom que você teve uma idéia!

Agora a primeira coisa a fazer com ela é escrever. Sim, você leu direito, ESCREVER, não fique só com as idéias na sua cabeça, primeiro porque você pode esquece-la ou modifica-la sem perceber, e segundo porque na sua cabeça ela é completamente inútil, pelo menos até alguém inventar uma máquina de ler a mente, enquanto ela não existe, escreva a idéia, é a única forma de alguém poder saber do que se trata.

Agora, vamos ver o que você quer fazer com a idéia, você quer que alguém faça um jogo com ela? Ótimo, jogue sua idéia no lixo (recliclável para papéis por favor). Ninguém vai fazer sua idéia, nem de graça. O lado bom disso, é que ninguém vai roubar sua idéia também! Então paranóicos de plantão podem se tranquilizar.

Você quer fazer um jogo com ela? Então existe agora duas possibilidades…

A primeira e mais fácil é fazer você mesmo a idéia. Sim, você leu direito, você aprende as coisas necessárias (e aprender é sempre bom, não é?) e faz a idéia você mesmo. Vai demorar? Vai… Vai dar trabalho? Vai! É difícil? Sim, mas é mais fácil do que a próxima possibilidade.

Possibilidade dois: Você fazer a sua idéia, mas dentro de uma empresa. A primeira coisa para entrar em uma empresa é ter um bacharelado de 4 anos, leia esse artigo no meu blog para te ajudar, depois de ter uma faculdade, então é hora de ter um portfólio, isso é MUITO importante, sem um portfólio (e sem uma faculdade para os que insistem em não ter uma) existe 99% de chance que as empresas vão te ignorar, você não vai ser nem chamado para entrevista (se quiser ser funcionário) ou para negociar (se quiser fazer negócios…). Se você não tem um portfólio, faça a primeira possibilidade apresentada, e aproveite e coloque o jogo que você fazer no seu portfólio.

Os que leram até aqui devem estar se perguntando: Mas… para quem eu vendo a idéia?

Para ninguém! Sim, isso mesmo, ninguém vai comprar sua idéia… Algumas empresas podem comprar seu jogo pronto (mas é raro), mas ninguém mesmo vai comprar sua idéia, até o Will Wright (criador do The Sims e Sim City) que já trabalhava na empresa, teve problemas de convencer a empresa a fazer o The Sims, então ele mesmo fez o jogo, e mostrou para o dono da empresa, só então ele resolveu criar um produto em cima do jogo do Will Wright (surgindo assim a franquia The Sims). Ou seja, se o Will Wright não consegue dar de graça a idéia para a própria empresa onde ele trabalha, imagina você, ainda um zé ninguém, querendo vender uma idéia…

Mas porque as empresas não querem a sua idéia? O motivo é simples: Ter uma idéia é fácil, fazer ela é dificílimo…

Pense comigo: Você é dono de uma empresa, você tem um valor de dinheiro para fazer seu jogos, ai aparece uma pessoa que você não conhece, te explica só algumas coisas, e pede para você fazer para ele o projeto que vai custar vários milhões de dólares… Você faria? Então, se você disse que não faria, entendeu a idéia, se você disse que faria, é porque você é daria um péssimo empresário, ou gosta de trabalhar de graça.

Se você quer realmente trabalhar fazendo suas idéias, você vai ter que se esforçar, perseverar e estudar, não existe o conceito de ter uma idéia de um jogo, e ver alguém executar para você apenas jogar, se você teve uma idéia de jogo e quer ve-lo sair do papel (você escreveu assim como eu aconselhei, não é?), tenha em mente que ou você vai ter que trabalhar para executar você mesmo o projeto, ou vai ter que entrar nos negócios de jogos, como funcionário ou empresário, e trabalhar para fazer o jogo mesmo assim.

E um aviso final: NÃO MANDE o que você escreveu para as empresas sem avisar, isso irrita as empresas, o motivo é que se uma empresa fazer um jogo parecido com o seu e você acusa-la de roubar a idéia, ela vai ficar muito irritada, então as empresas já para se previnir costumam colocar em seus sites avisos que se você mandar um e-mail para a empresa com uma idéia, essa idéia vai ser automaticamente da empresa (e não mais sua), mesmo que ela não vá fazer nada com ela (o que é o que vai acontecer, mesmo que você seja um gênio).

Que faculdade fazer?

•21 de Novembro de 2009 • 14 Comentários

Essa é uma dúvida muito comum… Eu quero fazer jogos! Qual faculdade eu faço?

Resposta curta e objetiva: A que você achar melhor.

Infelizmente muita gente ai vai se perguntar… Qual é a melhor?

Primeiro você tem que saber qual a profissão que vai seguir, dizer que vai fazer jogos é tão genérico como dizer que você come comida quando alguém pergunta o que você gosta de comer.

Existe já no meu blog a série profissões para te ajudar a decidir o que quer fazer.

Depois de decidido sua profissão, é hora de pensar nos prós e contras de suas opções, essa é a melhor forma de escolher, um método popular é a grade de decisão, você cria uma grade onde organiza as opções, seus critérios e verifica qual tem mais vantagens. Critérios que podem ser usados é por exemplo distância de casa, preço, se o curso tem na grade coisas que te interessam, se a faculdade tem a infraestrutura desejada, a classificação da escola de acordo com os orgãos de educação…

Mesmo assim eu sei que você leitor quer sugestões de faculdades, e não saber como decidir… Eu já apresentei o método correto (ou seja, não existe “melhor” ou “pior” escola, o correto é saber o que é melhor ou pior PARA VOCÊ… e não para o governo, ou para seu amigo, ou para mim…)

Para quem quer programar, sugiro que faça ciências da computação. Para quem quer ser artista, recomendo artes plásticas, animação digital ou outro curso de artes. Para quem quer ser projetista de jogos, só existe um curso para falantes de língua portuguesa, que é o curso de Design de Games na universidade Anhembi Morumbi em São Paulo. Para trabalho com música, o curso de música é a escolha lógica, igualmente para trabalho com animação o curso de animação. Tem também o trabalho de roteirista, recomendo o curso de cinema, teatro ou letras, e para os que querem ser produtores um curso de administração é recomendável.

Como podem ver, exceto o curso de “Game Design” da Anhembi Morumbi eu não citei nenhum outro curso de jogos, os motivos são o seguinte:

Primeiro, apenas a profissão de Projetista de Jogos não tem nada muito parecido, portanto é a única que exige uma área acadêmica nova e separada. Segundo, a maior parte dos cursos são de pós-graduação (portanto creio que irrelevantes para os que estão lendo esse artigo) ou são cursos de 2 anos.

ISSO É MUITO IMPORTANTE, na indústria de jogos, cursos de 4 anos são a prioridade na escolha de currículos, especialmente em empresas maiores ou no exterior, empresas que recebem muitos currículos (a Ubisoft São Paulo recebeu 6000 quando anunciou vagas pela primeira vez, e a profissão nem é tão famosa assim no Brasil), usam a existência de uma faculdade como forma de eliminar candidatos (ou seja, se você tiver trabalhos geniais para mostrar, mas não tiver curso superior, você vai ser ignorado nessas empresas maiores), e os candidatos que não tem bacharelado de 4 anos são a última prioridade.

Prosseguindo: Terceiro, os cursos de jogos atualmente não tem boa reputação (inclusive o curso de Game Design já citado, mas se você quer ser projetista é a única escolha de curso da área, se não quiser fazer o curso por causa da má reputação, faça um curso de desenho industrial, é distante da área de jogos, mas os mesmos princípios se aplicam). Quarto, os cursos de jogos são desnecessáriamente caros. Quinto, os cursos de jogos são muito novos, geralmente os professores não são da área, e vários não entendem nada de jogo. Sexto, vários cursos de jogos são genéricos, o que as empresas realmente não gostam, o maior exemplo são os cursos chamados “Jogos Digitais”, este nome não diz absolutamente nada sobre o curso, a empresa não quer se arriscar a contratar um programador que fez um curso de arte chamado “Jogos Digitais” ou contratar um roteirista que fez um curso de programação chamado “Jogos Digitais”.

Ou seja: Fuja dos cursos de jogos, faça cursos tradicionais, no máximo façam pós-graduação em jogos, ou como segundo (e nunca como primeiro) curso.

Para mais dúvidas, me mandem um e-mail (orspeeder em gmail ponto com) que eu respondo na seção de perguntas e respostas aqui do blog. (nota: eu posto alí sua mensagem na íntegra, não manda nada que não queira que as pessoas saibam…)

Nota sobre o artigo na página do Latinoware

•25 de Outubro de 2009 • 5 Comentários

Eu fiz uma palestra no Latinoware que teve muito sucesso (a sala encheu e o público teve que sentar no chão, e depois fiquei sabendo que fui muito elogiado pela organização, além de elogios em pessoa), e a organização do evento colocou no sítio deles uma notícia sobre minha palestra no link http://www.latinoware.org/node/237

Infelizmente a reportagem reportou fatos errados, e eu venho aqui corrigir.

Primeiramente, eu não usei nunca a palavra “games”, não creio que seja um estrangeirismo necessário, e além disso “games” em países de língua portuguesa implicam jogos eletrônicos, e minha palestra também se aplica a jogos de tabuleiro e jogos de vida real (como pega-pega, ou pique-esconde, ou queimada, futebol…).

Então, os programas que eu citei, primeiro digo que o OpenOffice realmente é um conjunto de aplicativos como o artigo afirma, e eu afirmei que ele é o melhor programa para criação de regras e roteiros (e não jogos completos, exceto jogos que não possuem campo de jogo manufaturado, portanto apenas as regras são importantes).

ODE é a ferramenta mais conhecida para a programação de física. Creio que eles queriam dizer que a ferramenta mais usada para programação de imagens fosse a OpenGL, ou que eles queriam dizer que a ferramenta mais utilizada na criação de imagens fosse o GIMP.

OpenAL não é uma programa de áudio, é uma biblioteca de programação para áudio. O programa de áudio se chama Audacity. Eu citei ambos na palestra, e o OpenAL realmente é um líder na indústria de jogos.

E a frase citada de forma errada (aliás eu não entendi a citação) sobre MP3 seria que o MP3 é um formato proprietário e pago, que custa para ser utilizado valores muito altos (com rumores de gente sendo pressionada a pagar 1 milhão de dólares estadunidenses para não enfrentar processo judicial).

E não sou formado em “técnica” eu terminei o curso de nível “Tecnólogo” (no Brasil curso superior de dois anos de duração) em animação digital, mas ainda não colei grau.

Vou em breve publicar um artigo inspirado na palestra, onde vou listar vários programas (mas não bibliotecas) livres para serem utilizados na criação de jogos.

Além disso agradeço as pessoas do Ubuntu São Paulo que me convidaram para dar a palestra no Latinoware.

 
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